O Papel do Autoatendimento Bancário nos próximos Anos

O autoatendimento bancário foi muito importante para viabilizar o crescimento populacional bancarizado nos últimos 30 anos. Seria praticamente impossível para um banco de varejo operar sem a ajuda desta importante ferramenta de automação.

Mas para os próximos anos, qual será o cenário dos bancos? Qual será a influência dos novos meios de pagamento na implantação das ATMs?

Para inferir no cenário futuro é preciso ver as tendências que já ocorrem neste mercado. O Banco Central e a Febraban realizam estudos bastante completos para nos ajudar nesta análise.

O estudo da Febraban de 2021 (refletindo o mercado em 2020) aponta um forte crescimento no total de transações bancárias:

Percentualmente, o número de transações em autoatendimento caiu muito, mas em termos absolutos não foi muito significativo, considerando-se os efeitos da pandemia. E o volume de transações em autoatendimento é muito alto: 8,3 bilhões de transações por ano.

A queda percentual se deve principalmente ao aumento das transações em geral, impulsionado pelo aumento nas transações por celular. As pessoas ficaram mais confiantes e acostumadas com o acesso por esse canal, então naturalmente acabam realizando mais transações do que normalmente fariam.

Em conversas com vários bancos, a tendência é a diminuição no total de máquinas instaladas. Conforme números do Banco Central, esta é a evolução nos últimos anos:

Um fenômeno curioso, relacionado com a grande diversidade do Brasil, é a redução dos ATMs em algumas regiões e crescimento em outras:

Região:Variação 2019/2020
Centro oeste:+ 87
Norte:+ 187
Nordeste:+285
Sul:-61
Sudeste:-1.288

A tendência é de diminuição de base instalada, mas o perfil e funcionalidades dos equipamentos também devem mudar, conforme veremos a seguir.

  1. ATM Cashless

Com o redesenho das agências bancárias, que deverão migrar para um formato semelhante a uma loja, estes equipamentos serão importantes para a realização com segurança de transações eletrônicas, tais como investimentos, transferências e até prova de vida para a Previdência Social. O novo modelo de agência, que começará a ser implantado em breve pelos bancos, contempla o uso de ATMs Cashless, dando leveza e segurança ao ambiente de atendimento.

O ATM Cashless é dotado de dispositivos que garantem a segurança do cliente e do banco, tais como teclado criptográfico, leitor de cartões com anti skimming e câmera de segurança, entre outros. Por isso, não devem ser confundidos com totens comuns, utilizados em consultas de informações não financeiras.

  • Terminais mais abrangentes

Ainda na linha de redesenho de agências, muitas funções hoje realizadas no caixa deverão migrar para o autoatendimento, tais como pagamento de contas por não correntistas, câmbio e recebimento de benefícios, para citar algumas. Para isto, serão necessários equipamentos com funções de recebimento e dispensa de cédulas e moedas, maior número de denominações e tratamento de cheques: impressão de cheques e depósito com captura de imagem. Este tipo de equipamento também será aplicável em PAEs e PABs, com a vantagem de operar em horário estendido.

  • Reciclagem de cédulas

Os ATMs recicladores de cédulas já estão disponíveis no mercado brasileiro há algum tempo, mas a previsão é que eles aumentem em quantidade. Sua grande vantagem é o abastecimento com cédulas dos próprios clientes, reduzindo os custos de abastecimento.

Alguns bancos já possuem milhares de equipamentos recicladores em sua base, e o processo de instalação segue adiante. Mas ainda haverá espaço para os ATMs “convencionais”: em pontos com pouco ou nenhum movimento de depósitos, eles ainda serão importantes, considerando seu custo bem menor que o de ATMs recicladores.

  • Reciclagem de moedas

A combinação de recicladores de moedas com módulos de cédulas permitem que a solução de pagamento de contas em espécie seja realizada, eliminando filas gigantescas que hoje se formam em agências e casas lotéricas por todo o país.

O ATM Pague Contas projetado para tal finalidade trará redução de circulação de pessoas dentro da agência para o pagamento de um boleto com dinheiro, o que pode viabilizar inclusive projetos sociais como microcrédito, cuja iniciativa sempre esbarra na quantidade de parcelas e pagamentos avulsos.

  • Biometria facial

Os algoritmos de reconhecimento facial estão cada vez mais precisos, e a capacidade de processamento dos ATMs está cada vez maior. Isto viabiliza a adoção de biometria facial, que é uma técnica sem contato e que pode ocorrer durante vários pontos da transação, aumentando a segurança do cliente e do banco. É uma funcionalidade de fácil upgrade nos equipamentos atuais, que são dotados de espaço para instalação de câmera.

  • Leitor de código 2D e NFC

A utilização de dispositivo móvel para interagir com a transação do ATM será cada vez mais frequente. Para facilitar esta interação, o ATM deverá possuir leitor de código de barras 2D, para a leitura de QR Codes apresentados no celular, e leitor NFC para cartões e celulares providos desta funcionalidade.

Conclusão

Com base na diversidade de clientes e de realidades regionais, a Perto acredita que o canal autoatendimento vai continuar tendo um papel fundamental nos bancos, mesmo com possível redução de base instalada.

O mercado brasileiro de ATMs foi construído através da personalização e customização de produtos para atendimento dos bancos, seja do ponto de vista do conceito do cofre, da quantidade de periféricos ou até mesmo do tipo e cor do painel frontal.

Nossa projeção é que ainda existirão diversos tipos de ATMs com foco em diferentes transações, conforme o perfil de cada banco e de seus clientes.

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