| País precisa incentivar companhias para ganhar mais visibilidade em eventos internacionais |
As companhias de tecnologia brasileira entraram na rota da internacionalização há alguns anos e muitas aproveitam eventos como a Cebit e também comitivas empresariais que acompanham políticos países afora para prospectar clientes e, porque não, costurar parcerias para sociedade ou mesmo distribuição de produtos. Mas quando se compara a presença, a força da marca Brasil na feira alemã com a de outros emergentes, como China, Índia, Taiwan e, até África do Sul, tem-se a noção de que há muito trabalho a fazer. Mas, ainda que o que se encontra não seja o melhor dos mundos, os expositores brasileiros se mostram satisfeitos com os resultados. Juliano Statdlober, da Consist, por exemplo, que comercializa softwares para help desk, SAC e ouvidoria, afirma que conseguiu bons contatos nesta que é sua primeira participação. "Não falei com nenhum alemão, mas tenho boas perspectivas com contatos que fiz da Hungria, Letônia, Portugal, Moçambique e Bangladesh", contabiliza. A companhia já oferece as soluções para Angola, Portugal e Zâmbia. O software possui versões em inglês, português e espanhol. "Participei também de uma feira em Dubai e os resultados foram ótimos. A gente vem prospectar, nunca fazemos uma venda direta." Fora do pavilhão de 18 companhias convidados pela Softex, Softsul e Apex, está a Perto, especializada em ATMs bancários. A fabricante já é frequentadora da Cebit há alguns anos e seus diretores visitam a feira há vinte e dois anos. No geral, eles dizem que o investimento alto nesse tipo de evento vale a pena e, agora, com menos concorrência, já que nomes conhecidos como a brasileira Itautec não estão presentes neste ano, o resultado está surpreendendo a expectativa. Para suprir as necessidades e angariar ainda mais clientes, a companhia trouxe nesta edição da Cebit uma ATM de baixo custo e com leitura da impressão digital voltado exclusivamente para o mercado indiano. O produto é fruto de algumas sugestões recebidas no evento de 2009. É preciso acompanhar de perto a evolução da presença brasileira no exterior e governo e iniciativa privada deveriam desenvolver projetos conjuntos com mais assiduidade para aproveitar o bom momento vivido pelo País. Em todos os lugares que se comenta do Brasil, ouve-se elogios à economia, às empresas, à versatilidade. Então não pode-se deixar que essa maré vá embora para decidir investir. Pode não parecer importante numa primeira avaliação, mas aparência do estande, disposição da logomarca, neste caso a recém lançada Brasil IT, e o entusiasmo dos participantes podem ser fundamentais para difundir a imagem de que o País aposta na tecnologia e possui companhias que produzem soluções inovadoras e de qualidade. O Brasil pode ter uma presença maior em eventos como este e capitalizar ainda mais com o bom momento. Para isso, entretanto, é preciso mais investimento e suporte maior do governo federal. *O repórter viajou a Hannover a convite da Software AG |